sábado, 22 de fevereiro de 2014

I



Sua Amada Presença
revestida em Luz
presente em cada molécula
de infinito Amor e Benevolência.

Amado, assim és em toda a Altura.
Em réplicas de cada céu
a Hierarquia Divina magistralmente coordena
sob sua linhas de Cor, Luz e Som.

Cada ser, cada mínima ação ou fração de pensamento,
cada botão de rosa que ousa cair,
assim o faz por Sua vontade, pois é Tua substância.

Tudo Vê, tudo Pulsa em Ti.

Bem-amado, que fulguras estrelas,
em cada filho irradia acima do centro
faíscas de Sua Luz.

Nada que exista é separado de Ti,
és todo Único, princípio e nenhum fim.

Tal onda que bate na terra,
Voltamos a cada nova estação.
Tal broto que vem à luz,
Assim o fazemos, para perfeição.

Doce Amado,
a vibração das palavras
é Amor por Ti.

Imagem: elegantescapism.tumblr.com/post/18574801221

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Presente




Primeiro post do ano depois de longos meses de silêncio por aqui.  O silêncio é por conta da vida que não nos deixa espaço para escrevê-la, ela está vibrando, nascendo outra a cada dia, ás vezes a cada hora, aí não acompanhamos seu ritmo, e tudo vai ficando na memória.  Mas hoje abri espaço e peguei um caderno antigo.  É nessas horas que vem a surpresa, que vem aquela palavra que você esperava, e óh, letra sua, você mesmo que escreveu.  Ano de 2005, dezessete anos.  Eu tinha esquecido que  já sabia do caminho.

26 de setembro de 2005

" Acabo de ler um livro sobre o Zen-Budismo, e as palavras lidas ficarão em minha mente por muito tempo.

O Zen-Budismo traz uma concepção "simples" e natural do que vem a ser o mundo que enxergamos e nossa consciência sobre nosso próprio espírito.  Penso que todos deveriam buscar respostas no campo da potencialidade pura, no EU interior, e compreender que a solução de todos os problemas sempre esteve e sempre estará ao nosso alcance, o que nos falta é a percepção, a observação, a capacidade de usufruir de nossa intuição para contribuir com o ambiente em que vivemos.

Só se é possível chegar ao campo da potencialidade pura através da meditação, do desligamento exterior; e quando chegar a esse desligamento manter a total concentração e também se desligar interiormente, levando a mente a desistência da tentativa de provocar alguma alteração.   Chegando ao vazio, deve-se esquecê-lo, e então encontrará a iluminação, o caminho da perfeição.  União com o Cosmo, o TODO como um TODO, o princípio e a essência como a única ligação.

A meditação não deve ser vista como uma forma de descanso, pelo contrário, a meditação é a incessante busca pelo auto-conhecimento.  É um caminho árduo, muitas vezes desgastante e desestimulante, levando até mesmo a exaustão do corpo e da mente, mas que não deve ser abandonada por esses resultados.   A meditação é a forma de chegar o mais próximo do Criador, onde Criador e criatura formam um só, onde o corpo permanece imóvel mas com o espírito em movimento, onde o espírito imóvel se faz corpo em movimento.  Equilíbrio pleno.

O grande desafio que vejo é a concentração, o desligamento do mundo, o abandono de hábitos e conceitos enraizados.  O desafio é como estar no palco e me despir por completo, sem refletir sobre o ato, só acontecer, só deixar "algo" acontecer.  " Não andar, ser andado.  Não falar, ser falado."  E ainda assim, ter a consciência do momento presente.

Estar no palco usando meu corpo apenas como um instrumento da arte, mas em certo ponto fazer com que cena e corpo se tornem um só.

Pretendo me aprofundar nos ensinamentos do Zen-Budismo como caminho para elevação do espírito através do auto-conhecimento.  Não tenho ambições; pretender aprimorar mais conhecimentos é a forma que encontrei de fazer com que  minha passagem na Terra seja de algum modo valiosa e enriquecedora, não só para mim, mas como exemplo a futuras gerações, que irão se deparar com um mundo caótico e desprovido de seus maiores bens: o amor pelo próximo e pelo sagrado, o auto-conhecimento, a honestidade, e a capacidade de florescer a bondade no coração."

Inara

domingo, 30 de junho de 2013

Porta


Uma janela. Daqui vejo uma primavera colorindo, nascendo devagar. Aquela sensação de calorzinho que vai preenchendo a gente por dentro, fazendo a gente querer sair, explorar o mundo, criar. Fôlego. Parece que só agora consegui recobrar meu fôlego. Tô respirando mais aliviada, e parece que você também. E essa coisa boa que é (voltar?) respirar. Essa coisa boa que é querer respirar junto.

Queria te oferecer flores. Eu deveria estar dormindo, mas ao invés de sentir sono, tenho pensado em você, em nós. Deve ser porque hoje eu finalmente criei coragem e abri a caixa de textos antigos. E cada vez que pegava um nas mãos, era como se olhasse para uma fotografia, uma pintura que se desmanchava nos meus dedos e se transformava em imagens, sons, diálogos, sorrisos, cores. Saudade(u). 
E então a vontade de te escrever aumentou, virou uma criatura do meu lado. 
Tem um anjinho aqui comigo te escrevendo. 
Que doido. "um anjinho aqui comigo...". É, não preciso nem explicar essa escrita esquisita, porque você vai entender. Você sempre entendeu. Aposto que você sorriu agora. Enquanto isso, um sentimento enorme de gratidão me invadiu, olho encheu d'água. Eu não precisava explicar minhas ideias pra você. Até mesmo nos meus momentos de pior expressão, quando o corpo já não acompanha a mente, você conseguia me entender. E aí quem não entendia era eu: como pode tamanha afinidade? Era compreensão demais, empatia demais, amor demais. Muito, muito amor.

E aí eu volto a olhar pela janela e fico pensando se você ia gostar de receber flores. Será que você ainda gosta de flores? Será que são as mesmas flores? E vem uma culpa caprichada: não te dei flores.  

Não, não é primavera, é inverno. Temos poucas flores, temos muita água. A chuva cai num gotejar sereno, trazendo aquela imensidão marítima que a gente costuma chamar de paz.  
Na verdade, não queria te dar flores. Queria esquentar seu coração. Flores esquentam o teu coração?

Eu gostaria de sair e ir te visitar. Onde você está? Quer ajuda pra voltar?
Vejo a porta. 
Porque a gente tem tantos medos? Porque se trancar, né... será que essa proteção funciona?
... num sei, mas eu também me tranquei. Era verão lá fora e inverno aqui dentro, por isso. O meu frio podia esfriar o outro... Acaba sendo sempre uma proteção carinhosa com o próximo, esse querer se afastar pra não machucar - e a gente nem sabe como fazer isso, na dúvida a gente evita.  
Hoje é primavera aqui dentro, tá tudo voltando a florescer, querendo nascer de novo.... 


Vou deixar a chave no lugar de sempre, tá?

.

domingo, 14 de abril de 2013

De volta





O tempo de escrever escorrega.
Parar pra dizer o instante ficou caro.
É mais seguro ver o dia só como um dia
Sem enfeitar com amor saudade flor e alma.

Eu nem sei mais escrever porque parei de olhar.  Parei de olhar as pessoas nas ruas.  Parei de sentir saudade.  Eu parei também de fazer amizade.  Sabe-se lá onde eu estou.  Parar não dói.  





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